FESTIVAL O BOTICÁRIO NA DANÇA 2014

Ainda mais beleza em movimento


No seu segundo ano consecutivo, o Festival O Boticário na Dança repetiu os feitos da primeira edição com performances de tirar o fôlego. Quatro companhias brasileiras contempladas pelo edital de patrocínios de O Boticário se apresentaram ao lado de quatro companhias internacionais aclamadas no mundo todo.

A principal novidade foi a participação de mais uma cidade no percurso. Recife uniu-se a São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, e também conferiu os espetáculos, realizados de 29 de abril a 8 de maio.

Mais do que um ensaio, mais do que uma palestra ou um seminário, um workshop de dança é uma oportunidade rara de aprender, praticar e provocar intercâmbio de formas, estilos e técnicas. Quem vive a dança sabe como é importante esta troca de experiências. Por isso, o Festival O Boticário na Dança oferece a oportunidade de bailarinos brasileiros ficarem frente a frente com profissionais de renome internacional de companhias que se apresentam no evento. Os workshops são experiências únicas e inesquecíveis para todos os envolvidos.



Gratuito e imperdível!

Companhias internacionais

  • AKRAM KHAN COMPANY

    Fundada em 2000 pelo coreógrafo Akram Khan e pelo produtor Farooq Chaudhry, a Akram Khan Company atravessou fronteiras com suas narrativas artísticas instigantes. Uma das companhias de dança mais inovadores e importantes do momento, é reconhecida por suas colaborações interculturais e interdisciplinares que desafiam as convenções e formas de dança tradicionais, com temas que abordam questionamentos inusitados, humanos e que levam a plateia a novos lugares sempre abraçando outras culturas e disciplinas e, sobretudo, com um trabalho coreográfico cuja marca é o fascínio em contar histórias, comunicar ideias inteligentes, corajosas e que trazem consigo o reconhecimento, o sucesso artístico e comercial. Sua linguagem tem raízes no clássico, Kathak e na técnica moderna. Excursionando pelo mundo, tem participado de festivais e recebido prêmios internacionais.

    Espetáculo: iTMOi

    Celebrando o centenário de Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, iTMOi (in The Mind Of igor) foi concebida pelo coreógrafo e dançarino Akram Khan, tendo como premissa explorar o modo com que Stravinsky revolucionou o mundo da música clássica evocando seus padrões e interrupções e construindo uma conexão ao redor de um Ritual de Sacrifício. Com trilha sonora original por Nitin Sawhney, Jocelyn Pook e Ben Geada e a Akram Khan Company, um grupo de 11 bailarinos de diferentes nacionalidades e escolas, iTMOi revela um mundo onde conceitos de belo e feio são quebrados revelando o quão próximo e interdependentes são.


    Créditos: Jean-Louis Fernandez

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  • BATSHEVA ENSEMBLE

    Aclamada por público e crítica, a Batsheva Dance Company é considerada uma das mais importantes companhias de dança contemporânea do mundo. Juntas, Batsheva e Batsheva Ensemble, são compostas por 34 bailarinos de várias partes do mundo. Aclamado como um dos coreógrafos contemporâneos mais proeminentes, Ohad Naharin assumiu a direção artística em 1990, e desde então ela vem se destacando no cenário internacional por uma linguagem nova, uma atuação audaciosa e cheia de vigor. A Batsheva Dance Company foi fundada como uma companhia de repertório, em 1964, pela Baronesa Batsheva de Rothschild, que convidou Martha Graham como a primeira conselheira artística da companhia. Desde 1989, está sediada no Centro Suzanne Dellal em Tel Aviv.

    Espetáculo: Decadance

    Sua primeira versão foi criada em 2000 pelo coreógrafo israelense Ohad Naharin para celebrar os 10 primeiros anos de seu trabalho com a Batsheva. Colocando em destaque as muitas facetas de seu repertório, Naharin reconstruiu sua obra redesenhando e criando uma experiência totalmente nova. Decadance é um outro olhar sobre o repertório de Naharin, desde seus momentos mais extravagantes até aos mais íntimos, uma obra em movimento constante, sempre se modificando, se reinventando, sendo recriada. Com 17 bailarinos em cena, Decadance é uma coreografia mutante em que cada novo “mix” tem seu sabor próprio e especial.


    Créditos: Gadi Dagon

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  • LOUISE LECAVALIER

    Louise Lecavalier trabalhou com Édouard Lock e o La La La Human Steps entre 1981 e 1999, um período de excepcional intensidade pontuado por obras que desde então se tornaram marcos : Oranges, Businessman in the Process of Becoming and Angel, Human Sex, New Demons, Infante, 2 e Salt, além de suas participações brilhantes (David Bowie e Frank Zappa). Sua dança ultrapassou limites e com destemor e energia capturou a imaginação de toda uma geração. Já desde essa época, com sua companhia, Fou Glorieux, Louise continuou a explorar, em solos e duetos, o poder e a vulnerabilidade do corpo e a intensidade das lutas e aspirações humanas. Depois de importantes colaborações com artistas como Tedd Robinson, Benoît Lachambre, Crystal Pite e Nigel Charnock, criou o seu primeiro trabalho coreográfico, So Blue, em 2012. Membro da Ordem do Canadá, Louise é a primeira canadense a ter recebido a Premiação “Bessie Award” (New York) e a o primeiro vencedora do “Prix de la Danse de Montréal”. Ela também foi agraciada com o Prêmio Jean A. Chalmers com o prêmio do Sindicato de Críticos Franceses e em 2013, o Premio Léonide Massine de melhor dançarina contemporânea do ano. Em março de 2014, Louise Lecavalier e sua companhia ganharam dois prêmios de grande prestígio quase simultaneamente. A companhia, o 29° Grande Prêmio do Conselho de Artes de Montréal, e Louise, o “2014 Governor General Performing Arts Award” por um vida de realizações artísticas.

    Espetáculo: So Blue

    Louise Lecavalier e seu partner Frédéric Tavernini criam uma atmosfera de alta tensão, um trabalho marcado pela música visceral de Dede Mercan. Tão rápido como o pensamento, o corpo é quem dita as suas leis e transgride seus limites. Velocidade, lentidão, abstração, teatralidade: todos meios para expressar o corpo. Em So Blue, o corpo torna­se uma "arte viva", entre a escultura, a performance e a dança. Sequências ágeis contrastam com as mais lentas, outras mais fluidas, rigidamente controladas ao ponto de abandono. Quase todos os movimentos são inspirados em gestos simples do cotidiano que se tornam extremos quando repetitivos, decompostos ou cumulativos.


    Créditos: André Cornellier

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  • TAO DANCE THEATER

    Desde sua fundação, em 2008, a TAO Dance Theater tomou de assalto o mundo de dança na China. Tem sido destaque em festivais de dança moderna em todo o continente asiático e colaborado, na China, com expoentes de todas as artes: teatro, música, cinema, artes visuais e instalações multimídias. Foi a segunda companhia chinesa de dança contemporânea depois de Guangdong Modern Dance Company, em 1997, a ser convidada para se apresentar no American Dance Festival, e a primeira a ser companhia residente por seis semanas no ADF. Em 2012, foi convidada a se apresentar no Lincoln Center Festival, a primeira companhia chinesa convidada a se apresentar no Festival de Dança da Primavera na Sydney Opera Houser. Criadora de uma linguagem própria de movimentos, a TAO também se dedica à dança como expressão de arte e de educação, com programas de workshops e aulas.

    Espetáculo 4

    É como se uma onda magnética movimentasse os quatro bailarinos que ora puxam, ora embalam, ora separam, e ora se unem sem que se toquem. A música é do compositor chinês de indie­folk­rock, Xiao He.

    Espetáculo 5

    Encontramos cinco bailarinos, que na verdade mais do que tocar­se fisicamente, nunca se separam e se movimentam formando uma massa humana. As obras são uma continuação do trabalho do coreógrafo Tao Ye, uma experimentação onde ele explora o potencial do corpo humano como elemento visual sem a preocupação de contar histórias ou representar. O coreógrafo acredita que uma única palavra ou frase é insuficiente para resumir uma obra de dança contemporânea teatral e expõe e liberta para o publico a livre imaginação.


    Créditos: Fan Xi

    TAO DANCE THEATER Close

Companhias nacionais

  • BALÉ TEATRO GUAÍRA

    O Balé Teatro Guaíra é uma das mais importantes companhias oficiais do país graças a sua representatividade histórica, com obras e turnês consagradas. Foi criada pelo Governo do Estado do Paraná em 1969, e teve como seus primeiros diretores Ceme Jambay e Yara de Cunto, sucedidos por artistas como Yurek Shablewski, Hugo Delavalle e Eric Waldo. Em 1979, o coreógrafo português Carlos Trincheiras assume a direção até 1993. Neste período a companhia ganha reconhecimento internacional com destaque para a obra O Grande Circo Místico. De 1994 a 2011 diferentes diretores, com suas diferentes visões, contribuíram com a construção da história desta companhia. Além das criações dos próprios diretores, coreógrafos de diferentes estilos realizaram mais de 130 coreografias que compõem seu repertório. Com a atual direção de Cintia Napoli, mantém­se conectado à contemporaneidade, trazendo propostas ousadas e autênticas, sem perder de vista a tradição.

    Espetáculo: A Sagração da Primavera

    A primeira apresentação de A Sagração da Primavera em 29 de maio de 1913, em Paris, marcou o início do modernismo. Com um estilo de dança nunca antes apresentado, uma música deestrutura completamente original, o compositor Stravinsky e o coreógrafo Nijinsky chocaram quem estava lá. A obra conta a história de uma jovem que é escolhida para ser sacrificada como oferenda ao deus da primavera em um ritual primitivo, a fim de trazer boas colheitas para a tribo. Desde então, Sagração foi interpretada e relida pelos maiores coreografos do mundo. A versão com o Balé Teatro Guaíra, da coreógrafa portuguesa Olga Roriz, é ousada, sensual e viceral. Não há vítima, a eleita, ainda que sua escolha signifique a morte, abraça sua missão como uma honra, bate no peito e sorri desafiadora.


    Créditos: Sérgio Vieira

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  • CISNE NEGRO CIA DE DANÇA

    Originalidade, ousadia e constante preocupação com a formação de novas plateias fazem da Cisne Negro uma das mais respeitadas companhias contemporâneas da atualidade. Com uma respeitada carreira internacional, sucesso de crítica e público, surgiu em São Paulo da união de dois universos, dançarinos e atletas, que resultou em uma dança espontânea, energética, e de grande qualidade técnica e artística. Os trabalhos da companhia inserem-se no panorama contemporâneo da dança tanto no Brasil quanto no exterior com repertório que inclui diferentes coreógrafos: Ana Maria Mondini, Denise Namura, Vasco Wellencamp (Portugal), Gigi Caciuleanu, Patrick Delcroix (França), Janet Smith e Mark Baldwin (Inglaterra), Júlio Lopes e Luis Arrieta (Argentina), Michael Bugdahn (Alemanha), Victor Navarro (Espanha), Itzik Galili e Barack Marshall (Israel), este último oriundo da Batsheva Dance Company.

    Espetáculo: SRA. MARGARETH

    Sra. Margareth, com excertos de Monger, é uma adaptação de Barak Marshall para a companhia Cisne Negro. É um trabalho de dança-teatro para 12 bailarinos, e conta a história de um grupo de funcionários, preso no porão da casa de uma patroa abusiva. O movimento de Marshall é físico, afiado, rápido, com argumentos étnicos contemporâneos emotivos, visuais e teatrais. A estrutura da peça de narrativa é traçada a partir de várias fontes, incluindo a vida e a obra de Bruno Shultz e Jean Genet, "As Criadas". A trilha combina elementos da música cigana e do sudeste europeu, passando pela música clássica e rock.


    Créditos: Tomas Kolisch Jr

    CISNE NEGRO CIA DE DANÇA Close
  • FOCUS CIA DE DANÇA

    Focus Cia de Dança e Alex Neoral. Ambos se confundem desde 1996 quando alguns bailarinos decidem que estar em cena é mais do que fundamental, é uma necessidade vital. Alex Neoral, inquieto, criativo, ousado. Ideias e precisão. Deste encontro explode nos palcos a Focus, uma das mais atuantes companhias de dança cariocas, que a cada ano vem traçando sua trajetória de sucesso. Desde sua estreia, apresentou nada menos que 13 criações. Entre 2010 e 2011, passou por 32 cidades francesas, e participou da Bienal da Dança de Lyon. O último espetáculo, “As Canções que Você Dançou pra Mim” (inspirado na obra de Roberto Carlos), foi apresentado 85 vezes em 2012, número digno de grandes companhias internacionais.

    Espetáculo: Ímpar

    Em Ímpar, os sete bailarinos passam por texturas de movimentos distintas, que são essenciais para identificar que tudo está em constante transformação. Porém, essa narrativa aparece dividida em nove cenas, que foram embaralhadas e estão fora de sua ordem. Instaura-se um quebra-cabeça de movimento, onde o trabalho joga com a memória e a percepção do público. A ideia é desmembrar os acontecimentos que são mostrados de ordem não cronológica.

    Espetáculo: As Canções que Você Dançou pra Mim

    Alegria, amor, ciúme, reencontros ao som de Roberto Carlos. O espetáculo tem uma proposta simples, mas não ingênua. Uma simplicidade sofisticada e delicada. No palco, quatro casais de bailarinos sãxo embalados em uma montagem cuidadosa de 72 canções do “rei Roberto”, que revela o humor de uma viagem ao Brasil das décadas de 60 a 90, evocando histórias confessadas e memórias pessoais inconfessáveis.


    Créditos: Marian Starosta

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  • PRIMEIRO ATO

    O grupo de dança Primeiro Ato, sob a direção de Suely Machado, realiza um trabalho em dança contemporânea, que celebra a diversidade por meio da dança. Essa é sua marca principal desde o início das atividades, em 1988. Companhia mineira, de Belo Horizonte, tem como carimbo subverter padrões e trabalhar com bailarinos, temas e formas de expressão das mais variadas. Uma assinatura múltipla, conforme define a diretora e fundadora Suely Machado. A ideia de formar o grupo surgiu quando algumas bailarinas, incluindo Suely, voltavam de uma apresentação no interior de Minas. Elas imaginaram o quanto seria interessante se, no lugar de criarem um grupo tradicional, tivessem um coro de diversidade, de pessoas que trouxessem influências diferentes para o mesmo coletivo. Daí surgiu o conceito do Primeiro Ato. A cada novo trabalho, os horizontes se ampliam. Novos temas, colaborações com outras manifestações artísticas, cada vez mais criando uma fusão um processo de intercâmbio para o universo da dança.

    Espetáculo: Pó de Nuvem

    Os coreógrafos Denise Namura e Michael Bugdahn propõem a travessia de uma temporalidade onde o passado, presente e futuro se misturam para se tornar um tempo além do tempo. Neste espetáculo, organizado como um livro com capa, capítulos e contracapa, dois grandes mineiros serão companheiros de viagem: João Guimarães Rosa e Milton Nascimento, suas vidas e obras. O público é conduzido para um universo marcado de humor e poesia, carregado do gestual e da escritura que lhes são próprios. Os coreógrafos se inspiram no som, no cheiro, na textura, no peso de uma simples palavra, de uma nota só, para transformar este material em estados emocionais fortes.


    Créditos: Guto Muniz

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